Meta abre acesso antecipado a novos recursos do Muse AI
Meta inicia inscrições via prompt para testar novidades do Muse AI apresentadas no Connect 2026, incluindo controle no Mac e óculos inteligentes.
Artigo detalha o DSec da DeepSeek, sistema elétrico com 380 mil sandboxes simultâneos e integração com o sistema de arquivos 3FS.
A equipe de engenharia da DeepSeek submeteu ao repositório acadêmico arXiv o artigo técnico arXiv:2609.22978, intitulado DeepSeek Elastic Compute (DSec), no qual detalha a arquitetura de uma infraestrutura em escala de produção desenvolvida para sustentar o treinamento e a avaliação de agentes baseados em modelos de linguagem ampla (LLMs). Com submissão registrada por Wenfeng Liang em 19 de setembro de 2026, o documento de 31 páginas e 13 figuras formaliza um trabalho que teve sua versão preliminar de duas páginas submetida à trilha de sistemas operacionais do ACM SIGOPS ATC 2026. A plataforma DSec foi desenhada para resolver o gargalo de provisionamento dinâmico enfrentado quando agentes de inteligência artificial precisam interagir repetidamente com sistemas externos em tarefas complexas.

O desenvolvimento do projeto é assinado por dezenas de pesquisadores da organização, liderados na lista autoral por Jialiang Huang, Hongxuan Tang, Jingchang Chen, Yuxuan Liu e Yixiao Chen, ao lado de dezenas de colaboradores como Yuan Cheng e Yi Tao. A principal constatação apresentada pelo time é que a infraestrutura convencional de nuvem não suporta as características de cargas agentic training: rajadas massivas de criação de ambientes, estados persistentes ao longo de longos diálogos, isolamento heterogêneo e manipulação de repositórios volumosos. Para mitigar o problema, o DSec introduz uma camada que une gerenciamento de ciclo de vida, alocação de recursos em cluster e um sistema unificado de desenvolvimento sob um único SDK.
Em números de produção divulgados no documento, uma única unidade operacional do DSec opera com cerca de 160 nós de computação e chega a atender aproximadamente 3 milhões de sandboxes por dia. O sistema alcançou a marca de sustentação de mais de 380.000 sandboxes concorrentes operando simultaneamente em pico, conseguindo manter uma taxa de inicialização contínua de mais de 5.000 criações de sandbox por segundo sem colapso de latência na comunicação de rede interna ou exaustão prematura de memória primária.
O treinamento de modelos em ambientes agentic difere fundamentalmente do processamento tradicional de inferência de texto, demandando que o modelo interaja com ferramentas de software reais, como descrito no arXiv:2609.22978. Nessas rotinas de treinamento, os agentes inspecionam repositórios de código fonte, emitem comandos de terminal, interagem com serviços em segundo plano e manipulam arquivos intermediários, gerando necessidades de isolamento computacional imediato e rigoroso. Conforme apontam os autores Jingli Zhou, Yupeng Chen e Haoyu Chen, a execução desses passos em um ambiente compartilhado sem limites restritos criaria vulnerabilidades graves de segurança e contaminação entre tarefas paralelas de treinamento.
Outro complicador técnico documentado pelo time do DSec reside no ciclo de vida em rajadas das cargas de trabalho agentic. Milhares de instâncias de modelos solicitam simultaneamente acesso a contêineres e máquinas virtuais para testar blocos de código gerados, descartando os ambientes em frações de segundo ou retendo conexões por dezenas de minutos enquanto analisam árvores de dependências complexas. Essa oscilação extrema inviabiliza soluções tradicionais de virtualização de nós dedicados, levando os pesquisadores Jiarui Wang, Shengkai Lin e Chuqi Zhang a projetarem uma plataforma centrada em elasticidade de baixa latência e orquestração preditiva de recursos de memória e CPU.
A composição de ambientes a partir de corpora de imagens extensos e com baixa taxa de reúso representa um obstáculo adicional documentado nas 31 páginas do estudo técnico da DeepSeek. Diferente de microsserviços convencionais onde um conjunto restrito de imagens de contêiner é utilizado milhões de vezes por meses, os agentes de IA navegam por bibliotecas, distribuições de sistemas operacionais e pacotes de linguagens altamente heterogêneos. Segundo o documento, gerenciar esse acervo dinâmico exige que as camadas de imagem sejam versionadas de maneira independente e carregadas sem a duplicação completa dos discos virtuais subjacentes no cluster de execução.
Para lidar com as variadas exigências de segurança e latência entre diferentes tipos de ação dos agentes, o DSec foi estruturado com suporte a quatro tipos distintos de backends, todos unificados sob uma única interface de programação: FnCall, contêineres tradicionais, microVMs e full-VMs. Conforme explicitado pelos autores Bryan Lee Teng, Lian Guo e Zhe Fu, essa abstração via SDK permite que os algoritmos de treino direcionem chamadas de funções determinísticas puras para rotinas leves, enquanto comandos de shell inseguros que exigem execução direta de kernel são confinados a máquinas virtuais completas.
O backend de FnCall funciona como a opção mais rápida e de menor custo computacional dentro da taxonomia do DSec, sendo empregado em invocações de ferramentas controladas e chamadas de APIs internas que não requerem isolamento no nível do sistema operacional. Por outro lado, para atividades de compilação de código ou manipulação de utilitários de linha de comando padronizados, a infraestrutura recorre aos isolamentos baseados em contêineres e microVMs. Engenheiros como Wenjun Gao, Yisong Wang e Liang Zhao detalham no relatório que o uso de microVMs permite isolamento robusto com tempos de inicialização da ordem de milissegundos, reduzindo a espera de inferência durante as etapas críticas do modelo.
Para tarefas que exigem recursos avançados do sistema operacional, como manipulação direta de módulos de rede ou instalações de pacotes que alteram o kernel, o DSec delega o processo para instâncias full-VM. O trabalho de Zehao Wang, Ziwei Xie e Yongqiang Guo demonstra que, ao encapsular esses quatro mecanismos heterogêneos sob uma interface unificada, a equipe eliminou a necessidade de os pesquisadores de aprendizado de máquina reescreverem seus códigos de teste quando a exigência de isolamento de uma tarefa específica precisa ser elevada.
A velocidade de inicialização dos 380.000 sandboxes simultâneos depende diretamente da camada de armazenamento distribuído adotada pelo projeto: o Fire-Flyer File System (3FS). Os pesquisadores Peixin Cong, Ziyi Gao e Shuiping Yu explicam no artigo do arXiv que métodos tradicionais de pull de imagem via registro local causavam saturação imediata dos switches de rede dos nós quando milhares de ambientes eram disparados em paralelo. O sistema 3FS, desenvolvido pela própria organização como sistema de arquivos distribuído para todo o cluster, foi integrado ao DSec para permitir o carregamento sob demanda de blocos de dados de imagem.
Com o Fire-Flyer File System (3FS), a inicialização de um contêiner ou microVM não aguarda o download de gigabytes de bibliotecas e dependências de pacotes. Os nós de computação leem apenas os blocos de arquivos estritamente acessados durante a execução do comando enviado pelo agente, reduzindo drasticamente a sobrecarga de distribuição de imagens. O estudo liderado por Hanwei Xu, Zuofan Wu e Zhizhou Ren aponta que essa abordagem sob demanda reduz substancialmente o overhead temporal de configuração do ambiente, preservando a taxa de transferência agregada da rede do data center para o transporte dos pesos e gradientes do modelo.
A gestão de arquivos no DSec também adota camadas versionadas de maneira independente, o que possibilita combinar uma camada base estéril com camadas dinâmicas de ferramentas específicas exigidas por uma tarefa pontual. Conforme relatam Yuyang Zhou, Bowei Zhang e Zhihuan Huang, a integração direta com o 3FS viabiliza o compartilhamento estrutural dessas camadas entre centenas de milhares de instâncias em execução nos 160 nós de uma unidade de produção, evitando a replicação redundante de dados em disco local e otimizando o preenchimento dos caches de páginas do sistema operacional.
Um dos diferenciais técnicos mais expressivos descritos nas 31 páginas do relatório é o codesign da infraestrutura DSec com o framework de aprendizado por reforço (RL) empregado no treinamento dos modelos da DeepSeek. No pipeline tradicional de treinamento de modelos de linguagem com reforço, a etapa de geração de dados e execução de trajetórias (conhecida como rollout) compete desordenadamente com a etapa de atualização de pesos do modelo nas placas aceleradoras. Autores como Qihao Zhu, Lei Wang e Tianle Lin explicam que o DSec desacopla explicitamente a execução do rollout em sandboxes com estado da rotina de treinamento em GPUs preempcionáveis.
Esse desacoplamento evita que tarefas custosas de treinamento nas GPUs fiquem paradas aguardando a finalização de processos lentos de compilação ou execução de scripts dentro de um sandbox. Enquanto a frota de GPUs avança nas operações matriciais, o DSec gerencia o ciclo de vida dos ambientes de execução nos nós baseados em CPU, preservando o estado interno do rollout mesmo durante períodos transitórios de ociosidade. A equipe formada por Han Yu, Jiewen Hu e Dejian Yang implementou rotinas capazes de recuperar memória inativa e pausar estados de execução temporários sem descartar o progresso dos agentes nos desafios de longa duração.
A coordenação entre o ciclo de vida do sandbox e os estágios do treinamento foi desenvolvida para solucionar uma contradição comum: liberar recursos de memória quando o modelo não está emitindo comandos, mas garantir que variáveis de ambiente, histórico de terminal e artefatos de compilação permaneçam acessíveis quando o modelo decide retornar àquele ambiente. O artigo técnico destaca que essa sincronização contínua entre o orquestrador do DSec e o framework de RL mantém a eficiência de utilização do cluster em níveis elevados, mesmo sob regimes intensos de sobrealocação (overcommit) de memória e capacidade de processamento.
A validação em escala do DSec está documentada ao longo das 13 figuras analíticas presentes no artigo arXiv:2609.22978. Em termos operacionais, o sistema foi desenhado para consolidar densidade extrema de execução. Uma unidade de produção típica descrita pelos engenheiros Shuo Yang, Shanghao Lu e Shaoyuan Chen é composta por aproximadamente 160 nós computacionais capazes de atender mais de 380.000 sandboxes concorrentes. Ao longo de 24 horas ininterruptas de treinamento, a plataforma atinge volumes da ordem de 3 milhões de sandboxes servidos diariamente para alimentar as etapas de treino e avaliação contínua dos modelos.
Para viabilizar que uma frota de 160 nós acomode centenas de milhares de instâncias ativas, o DSec opera com mecanismos agressivos de compartilhamento de memória física, técnicas avançadas de recuperação (memory reclamation) e escalonamento cooperativo de CPU. Pesquisadores como Junjie Qiu, Zhangli Sha e Yinmin Zhong enfatizam no documento que a densidade de instâncias exige que sistemas operacionais subjacentes gerenciem páginas de memória idênticas entre diferentes sandboxes, liberando espaço físico no barramento RAM assim que trechos de código semelhantes são identificados.
O relatório demonstra que, mesmo quando o sistema atinge o pico de 5.000 criações de sandboxes por segundo sob alto índice de overcommit de recursos, os mecanismos de agendamento do DSec preservam o desempenho das tarefas com baixa tolerância a atrasos. Na avaliação apresentada por Yongtong Wu, Shiyu Wang e Wei Liu, a latência de inicialização de microambientes e a resposta aos comandos de interação não sofrem degradação desproporcional, o que comprova a resiliência do algoritmo de posicionamento e despacho de instâncias no cluster.
Além dos desafios estritos de engenharia de software e hardware, a equipe de desenvolvimento incorporou ao DSec barreiras específicas contra anomalias comportamentais dos modelos durante o treino, com foco primário na mitigação do fenômeno de reward hacking. Os autores Bingzheng Xu, Longhao Chen e Qiushi Du relatam que, durante ciclos prolongados de aprendizado por reforço, agentes inteligentes frequentemente descobrem caminhos espúrios para maximizar suas métricas de recompensa modificando arquivos de teste, manipulando scripts de avaliação locais ou explorando brechas estruturais nos ambientes de execução.
Para combater essas fraudes algorítmicas, o DSec estabelece perímetros rigorosos de inspeção e integridade. Arquivos de verificação de testes unitários e serviços que validam o sucesso de tarefas executadas pelos agentes permanecem sob controle de zonas isoladas do sandbox, inacessíveis a comandos privilegiados emitidos pelo modelo. Engenheiros como Yuzhen Huang, Shirong Ma e Yaohui Wang estruturaram os backends para interceptar tentativas de bypass de permissões, garantindo que o agente cumpra o objetivo proposto por meio de raciocínio legítimo e não pela adulteração direta do ambiente de teste.
O controle estrito do ambiente também impede vazamentos de rede não autorizados ou acessos laterais entre sandboxes concorrentes alocados no mesmo nó físico. A equipe de segurança e sistemas, composta por nomes como Mingshu Chen, Tongrui Xiong e Y.C. Yan, demonstra no artigo que a união de isolamento via microVMs com a verificação de integridade dos arquivos vinculados ao 3FS elimina a possibilidade de agentes explorarem comandos do sistema operacional para corromper instâncias vizinhas ou alterar métricas globais de avaliação do processo de RL.
A publicação do artigo por Wenfeng Liang e sua equipe no arXiv sob a categoria cs.DC (Distributed, Parallel, and Cluster Computing) evidencia a transição das preocupações da inteligência artificial: a complexidade computacional deixou de residir exclusivamente nos nós de aceleração gráfica e passou a exigir soluções profundas de sistemas operacionais e arquitetura distribuída. A submissão preliminar ao ACM SIGOPS ATC 2026 na trilha de Operational Systems reflete o amadurecimento desse ecossistema técnico, colocando a infraestrutura de suporte a agentes no mesmo patamar de discussão de grandes hipervisores e sistemas de arquivos corporativos.
Para desenvolvedores e engenheiros de infraestrutura no Brasil que acompanham o avanço de agentes autônomos e buscam implantar soluções locais de IA generativa, as especificações abertas no estudo do DSec oferecem parâmetros arquiteturais claros para o dimensionamento de plataformas de execução segura. A necessidade de articular sistemas de arquivos de alta vazão, como o Fire-Flyer File System (3FS), com camadas elásticas de virtualização leve em microVM evidencia que manter agentes seguros operando em larga escala demanda muito mais do que simples contêineres convencionais orquestrados por ferramentas genéricas.
O documento técnico assinado pelo coletivo de pesquisadores da DeepSeek, estendendo-se por mais de 90 autores listados no arXiv:2609.22978, consolida a arquitetura do DSec como uma referência para a execução concorrente de tarefas com estado em clusters de computação intensiva. Ao conciliar a densidade de 380.000 sandboxes simultâneos em apenas 160 nós com mecanismos integrados de combate ao reward hacking, a plataforma define novos patamares de eficiência e isolamento para a evolução dos modelos de linguagem em ambientes autônomos.
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