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Mark Wahlberg defende uso de IA no cinema e clonagem digital

No TechCrunch Disrupt, ator Mark Wahlberg debateu IA em biografia de Pete Rose, série Ted e preservação de legado familiar via réplica digital.

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Ambiente de escaneamento digital 3D cinematográfico com câmeras e luzes em estúdio
Ambiente de escaneamento digital 3D cinematográfico com câmeras e luzes em estúdio

Durante o evento TechCrunch Disrupt, o ator, diretor, empresário e investidor-anjo Mark Wahlberg defendeu que a inteligência artificial tem espaço garantido na indústria do entretenimento, desde que aplicada de maneira correta para aprimorar produções cinematográficas em vez de substituir o processo criativo humano.

Ambiente de escaneamento digital 3D cinematográfico com câmeras e luzes em estúdio
Foto: TechCrunch AI

A discussão ocorreu em um contexto no qual Hollywood permanece polarizada sobre os impactos práticos da tecnologia nos estúdios. Em entrevista conduzida pela editora-chefe do TechCrunch, Connie Loizos, Wahlberg revelou planos operacionais para integrar ferramentas computacionais em sua próxima cinebiografia sobre o jogador de beisebol Pete Rose, na qual atuará como protagonista.

O artista detalhou que a obra biográfica é uma produção com orçamento elevado e que os modelos generativos e gráficos devem atuar diretamente na composição digital de cenários complexos de época, reduzindo custos sem descaracterizar a atuação em cena.

“É um filme razoavelmente caro, mas estamos conversando sobre utilizar a inteligência artificial para aprimorar o ambiente do estádio, coisas dessa natureza. Não acho que você deva apenas colocar uma ideia no ChatGPT, deixar que ele entregue um roteiro e depois produzir isso sem atores reais. Mas, se você puder usá-la para potencializar o que já está fazendo, eu sou totalmente a favor”, afirmou Wahlberg.

Equilíbrio entre efeitos e narrativa

Ao abordar a integração técnica entre computação gráfica e atuação, Mark Wahlberg relembrou projetos de grande porte orientados por efeitos visuais em que participou ou que acompanhou de perto ao longo da carreira, comparando o momento atual aos marcos da computação visual dos anos 1990 e 2000, como Jurassic Park e Mar em Fúria (The Perfect Storm).

O ator pontuou que as tecnologias de computação gráfica (CGI) viveram um ápice técnico quando projetos exibiam inovações marcantes nas telas, citando a recriação da onda gigante de aproximadamente trinta metros (100 pés) promovida no trailer promocional de Mar em Fúria como referência de ruptura técnica da época.

“Eu fiz grandes filmes voltados para efeitos. Acho que estive naquele ponto ideal quando o primeiro Jurassic Park foi feito, ou quando Mar em Fúria foi lançado e tínhamos aquela onda de cem pés no trailer. Eram momentos de vanguarda na tecnologia com imagens geradas por computador. Hoje, acho difícil alcançar o mesmo impacto, por isso não tenho tanto entusiasmo por filmes puramente orientados a efeitos visuais quanto tenho por uma narrativa real”, destacou o ator no TechCrunch Disrupt.

Para o artista, a narrativa e a dramaturgia precisam se manter no núcleo da indústria audiovisual, mesmo com a automação de processos gráficos ou o suporte de plataformas de linguagem natural como o ChatGPT nos bastidores executivos.

Replicação digital e CAA Vault

Um dos pontos centrais da sabatina com Connie Loizos envolveu as instalações do CAA Vault, estrutura montada pela agência de talentos Creative Artists Agency. O estúdio especializado conta com sistemas avançados de varredura tridimensional e fotogrametria que capturam corpo, rosto, expressões, modulações vocais e padrões de movimento dos atores para construir réplicas digitais autorizadas e protegidas.

Embora tenha esclarecido que ainda não visitou o CAA Vault para escanear sua biometria completa, Wahlberg confirmou abertura formal à ideia de criar um clone digital para estender sua carreira e transferir o controle patrimonial aos seus herdeiros.

“Eu estaria interessado porque penso que no futuro, se as coisas caminharem nessa direção, seria muito bom se meus filhos ou meus netos pudessem ficar responsáveis pela minha imagem e aparência e, com sorte, me colocar em bons filmes. Será interessante acompanhar o rumo que essas transformações vão tomar”, detalhou o ator.

A gestão de imagem póstuma via modelos de IA representa uma mudança estrutural na relação jurídica de propriedade intelectual, autorizando descendentes diretos a licenciar representações sintéticas do ator em produções futuras desenvolvidas sob demanda de mercado.

Série Ted e continuidade de franquias

Essa abordagem aberta à substituição digital se estende aos projetos que o astro já comanda. Wahlberg declarou explicitamente não ver problemas se a série de animação Ted continuar no ar durante décadas a fio utilizando uma versão inteiramente sintetizada por inteligência artificial da sua imagem e voz, mesmo na hipótese de ele se afastar ou falecer.

“Acho aceitável se eu não puder mais trabalhar ou deixar de existir, desde que o projeto continue e as pessoas ainda queiram assistir. Há elementos da minha infância que eu gostaria que ainda existissem e fizessem parte da minha vida cotidiana. Eu não me oponho. Acredito que o público terá oportunidades gigantescas de consumir o conteúdo que desejar e, se houver audiência real, as pessoas têm o direito de assistir ao que procuram”, sustentou o empresário e investidor.

Para Wahlberg, o apetite da audiência por propriedades intelectuais clássicas justifica a continuidade artificial de personagens conhecidos, transformando réplicas digitais em ativos de longa duração para as produtoras e seus detentores legais.

Impactos na cadeia de produção brasileira

A discussão técnica apresentada em palcos como o TechCrunch Disrupt sinaliza tendências que afetam diretamente o ecossistema brasileiro de produção cinematográfica e publicidade digital. No mercado do Brasil, onde orçamentos para efeitos visuais complexos costumam ser restritos se comparados a Hollywood, o uso de IA generativa para enriquecimento de cenários, como citado por Wahlberg no caso dos estádios para a cinebiografia de Pete Rose, surge como um fator de redução operacional viável para produtoras locais.

Em paralelo, a preservação de dados biométricos observada em iniciativas como o CAA Vault antecipa desafios contratuais específicos sob as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil, principalmente no que tange ao tratamento contínuo de dados biométricos sensíveis e cessão de direitos conexos de imagem e voz após a morte do titular.

Com atores internacionais de alto escalão aprovando publicamente a gestão de clones por sucessores familiares, o setor de entretenimento caminha em direção a parâmetros contratuais rigorosos, delimitando onde o aprimoramento computacional termina e onde a identidade sintética permanente tem permissão para operar.

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