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Meta usa inteligência artificial para acelerar criação de novos aplicativos

Mark Zuckerberg revela que modelos de linguagem e IA aceleram a criação e a recomendação de novos aplicativos da Meta.

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Servidores de alta tecnologia com luzes azuis e representação visual de dados e algoritmos de IA
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O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, anunciou durante a apresentação de resultados financeiros do segundo trimestre da empresa que a gigante das redes sociais está utilizando modelos de linguagem de grande escala (LLMs) para acelerar radicalmente o desenvolvimento de novos aplicativos. A estratégia marca uma mudança operacional relevante na empresa, que lançou recentemente o Seller, um aplicativo autônomo voltado para vendedores do Marketplace, o Forum, dedicado a grupos do Facebook, além do Instagram Instants, voltado para compartilhamento de fotos, um aplicativo de jogos com código focado em engajamento e um experimento focado em histórias para dormir geradas por inteligência artificial.

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Foto: TechCrunch AI

A informação foi detalhada na cobertura da jornalista Sarah Perez, do portal TechCrunch, destacando que o uso de ferramentas avançadas de inteligência artificial generativa permitiu à Meta superar um obstáculo histórico no desenvolvimento de software. Durante anos, a empresa tentou, sem sucesso sustentado, lançar produtos independentes que complementassem suas plataformas principais, como o Facebook e o Instagram. Agora, segundo a liderança da empresa, a implementação de modelos de linguagem permite que as equipes de engenharia testem ideias e lancem produtos no mercado em um ritmo substancialmente superior ao registrado em décadas anteriores.

Em declaração direta aos acionistas e analistas de mercado durante a chamada de resultados da Meta, Mark Zuckerberg enfatizou o papel da tecnologia na rotina interna das equipes de desenvolvimento de produtos da holding:

“Estou entusiasmado com a forma como a IA está ajudando nossas equipes a acelerar o desenvolvimento de produtos. No início deste ano, lançamos o Instagram Instants. Também acabamos de lançar o Forum, um aplicativo autônomo para Grupos, e o Seller, um aplicativo autônomo para o Marketplace. Espero que se torne muito mais fácil lançar novos aplicativos. Portanto, estamos planejando desenvolver mais ideias e usar nossos sistemas de recomendação para escalá-las”

O executivo também ressaltou que os ganhos obtidos com a inteligência artificial não se limitam à velocidade de codificação e entrega de novos softwares, mas afetam diretamente a rentabilidade e a eficiência do negócio central da holding tecnológica:

“A IA está melhorando nosso negócio principal; ela está tornando nossos aplicativos mais relevantes e entregando melhores resultados para as empresas. Estamos começar a entregar produtos mais inovadores e teremos muito mais novidades em breve”

Tentativas anteriores com a Creative Labs

O novo esforço impulsionado por modelos de linguagem resgata uma busca antiga da Meta — que nos primeiros anos de operação atendia pelo nome de Facebook — para diversificar seu portfólio de produtos sociais. Entre a primeira metade da década passada e o ano de 2015, a companhia manteve uma incubadora interna conhecida como Creative Labs. O objetivo central do projeto era funcionar como um laboratório de testes para explorar novas dinâmicas sociais e formatos de interação antes de sua eventual integração às redes sociais principais da corporação.

Durante a existência da Creative Labs, a empresa lançou uma série de aplicativos independentes no mercado global. Entre as aplicações desenvolvidas esteve o Slingshot, um serviço voltado para o compartilhamento rápido de fotos e vídeos; o Rooms, uma plataforma criada para conversas anônimas em tópicos específicos; o Paper, um leitor de notícias projetado para competir diretamente com o aplicativo Flipboard; o Moments, focado na organização e compartilhamento privado de fotografias entre amigos; e o Riff, um aplicativo voltado para a criação colaborativa de vídeos curtos.

Apesar da estrutura dedicada e do investimento constante em inovação de produto, a experiência da Creative Labs foi encerrada oficialmente no ano de 2015. A Meta enfrentou dificuldades recorrentes para atrair e reter uma audiência relevante para esses softwares independentes, o que culminou no fechamento progressivo e no desmembramento de todas as aplicações desenvolvidas pelo grupo no período por falta de tração de mercado.

A experiência com o grupo NPE Team

No início da década de 2020, a Meta realizou uma segunda tentativa estruturada para criar um ecossistema de softwares independentes. A empresa estruturou uma nova divisão interna de pesquisa e desenvolvimento chamada NPE Team (New Product Experimentation). A missão do grupo era lançar rapidamente no mercado pequenos aplicativos experimentais para avaliar o interesse dos usuários em diversas categorias de consumo digital e mídia interativa.

A lista de experimentos gerados pela equipe do NPE Team incluiu o aplicativo Bump, focado em bate-papo interativo; o Aux, uma plataforma de música social; o Move, aplicativo voltado para acompanhamento e gestão de tarefas diárias; o Spark, focado em relacionamentos e encontros online; e o CatchUp, desenvolvido para organizar chamadas de áudio em grupo. O grupo também criou o E.gg, uma ferramenta para criação de publicações no estilo zine digital, e o Venue, desenhado para interação em tempo real durante eventos ao vivo.

O catálogo de testes da NPE Team estendeu-se ainda ao Hotline, uma plataforma de perguntas e respostas para criadores inspirada no Clubhouse; ao Super, desenvolvido para competir no mercado de vídeos personalizados no modelo da plataforma Cameo; ao Tuned, projetado especificamente para a comunicação privada entre casais; e ao BARS, voltado para a criação e compartilhamento de faixas de música no formato rap. Nenhum desses produtos alcançou escala comercial ou tração sustentada de público, o que levou a Meta a encerrar progressivamente as operações do grupo e a descontinuar todos os aplicativos desenvolvidos.

O caso do Threads com a IA

Diferente das iniciativas com taxas de insucesso registradas nas décadas passadas, a Meta obteve um caso concreto de escala ao aplicar novas metodologias de distribuição e recomendação no Threads. Lançado como uma alternativa direta ao microblogging tradicional, a plataforma atingiu a marca de 500 milhões de usuários ativos mensais. Durante a conferência com acionistas, Mark Zuckerberg reiterou sua projeção de que o Threads está no caminho para se tornar o próximo aplicativo da empresa a ultrapassar o patamar de 1 bilhão de usuários.

O crescimento acelerado do Threads baseou-se em uma estratégia dupla por parte da diretoria da Meta. Em um primeiro momento, a empresa utilizou a base de usuários já consolidada do Instagram e do Facebook para impulsionar os cadastros iniciais da nova rede. Em seguida, a companhia estabeleceu uma promoção contínua e integrada dentro dos feeds das suas redes sociais principais. No entanto, o fator determinante para a retenção do público foi o avanço técnico em seus algoritmos de recomendação baseados em LLMs.

De acordo com os relatórios operacionais apresentados pela empresa, o uso de modelos de linguagem na infraestrutura de recomendação gerou ganhos significativos de engajamento no Threads. Ao processar dados comportamentais e contextuais em tempo real por meio de inteligência artificial generativa, a plataforma passou a entregar conteúdos mais alinhados às preferências individuais de cada usuário, mitigando a evasão típica observada nos aplicativos lançados anteriormente pela NPE Team ou pela Creative Labs.

Mecanismos técnicos de recomendação por IA

A diretora financeira (CFO) da Meta, Susan Li, detalhou durante a chamada com investidores a mecânica por trás da integração de modelos de linguagem nos sistemas de recomendação e engenharia da companhia. A executiva explicou que os LLMs estão atuando em duas frentes centrais dentro da infraestrutura tecnológica da holding:

“Estamos descobrindo que os LLMs são cada vez mais capazes de oferecer ganhos de classificação e recomendação. Primeiro, eles tornam nossos sistemas existentes mais inteligentes, compreendendo do que o conteúdo realmente se trata e gerando melhores dados de treinamento. Em segundo lugar, agentes impulsionados por LLMs também estão ajudando no desenvolvimento de engenharia ao avaliar a qualidade do conteúdo, detectar tendências e testar mudanças de classificação”

Um dos marcos operacionais mais relevantes revelados por Susan Li refere-se ao processamento de mídia em larga escala no Instagram. A executiva informou que a empresa atingiu um divisor de águas técnico importante: absolutamente todos os vídeos do formato Reels e publicações do Feed no Instagram passam a ser processados automaticamente por um modelo de linguagem de grande escala. Essa análise automatizada avalia tanto o tópico principal quanto o tom do conteúdo publicado, permitindo que os sistemas de recomendação da Meta compreendam a semântica da publicação antes de distribuí-la aos usuários.

Além de aprimorar os algoritmos existentes nas plataformas já estabelecidas, a Meta está construindo novos sistemas de recomendação nativos em LLMs. Essa arquitetura foi desenhada especificamente para acelerar o ganho de escala de novos aplicativos assim que chegarem ao mercado consumidor. Com o apoio desses agentes automatizados capazes de avaliar a qualidade do código, detectar tendências de consumo em tempo real e simular testes de classificação, o ciclo de vida e a iteração de novos produtos de software na empresa tornaram-se significativamente mais eficientes.

Reação dos investidores e planos

Apesar do anúncio detalhado sobre a nova safra de aplicativos e a aceleração no ciclo de desenvolvimento de produtos com inteligência artificial, os acionistas que participaram da teleconferência do segundo trimestre concentraram suas perguntas em outras áreas estratégicas. As atenções do mercado financeiro voltaram-se prioritariamente para o volume de despesas de capital (Capex) dedicadas ao investimento em infraestrutura de IA e para as ambições crescentes da Meta no segmento de soluções corporativas.

Embora o tema dos novos aplicativos de consumo não tenha gerado questionamentos diretos por parte dos analistas de Wall Street durante a reunião, Mark Zuckerberg deixou claro que os usuários e o mercado não terão que esperar muito tempo para ver as novas ideias concretizadas. O CEO indicou expressamente que os novos produtos de consumo estão com lançamento previsto para breve, sinalizando a continuidade de lançamentos no mesmo formato do Seller, do Forum e do Instagram Instants nas próximas etapas de expansão da empresa.

A transição da Meta do modelo tradicional de incubação — baseado no esforço manual de engenharia visto na Creative Labs e no NPE Team — para um modelo automatizado impulsionado por LLMs reflete uma mudança estrutural no setor de tecnologia. Com agentes de inteligência artificial assumindo tarefas de avaliação de qualidade de conteúdo, geração de dados de treinamento e testes de classificação, a capacidade de empacotar novos produtos passa a ser ditada pela velocidade de inferência e capacidade computacional da infraestrutura da empresa.

Para o ecossistema global de desenvolvedores e profissionais do mercado digital, a postura adotada pela Meta reforça como o desenvolvimento assistido por LLMs e os sistemas de recomendação de última geração estão redefinindo as métricas de desenvolvimento de software. Ao alavancar sua base instalada de bilhões de usuários nas plataformas centrais como Instagram e Facebook, combinada ao poder preditivo dos modelos de linguagem, a companhia busca garantir que seus próximos experimentos alcancem relevância operacional em um ritmo impossível de ser atingido nas tentativas de anos anteriores.

#Meta#Mark Zuckerberg#Inteligência Artificial#Threads#LLM
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