OpenAI lança ChatGPT Voice para desktop com controle de agentes por voz
Atualização do app desktop do ChatGPT traz o modelo ChatGPT-Live, permitindo controlar o Codex e gerenciar tarefas no computador por voz.
Cofundada por Reid Hoffman e Ritankar Das, a Prentis desenvolve o modelo Hive-32B para automatizar sistemas operacionais e tarefas de escritório.
O laboratório de pesquisa em inteligência artificial Prentis, focado no desenvolvimento de modelos para uso de computadores (computer use), está em negociações avançadas para captar US$ 100 milhões com um valuation estimado em US$ 1 bilhão. A captação ocorre apenas três meses após o lançamento oficial da startup em abril, conforme revelado por duas pessoas familiarizadas com as conversas ao portal TechCrunch. A empresa foi cofundada pelo empreendedor em série Ritankar Das ao lado de figuras de destaque do Vale do Silício: Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn, e Mark Pincus, fundador da Zynga.

Com uma equipe inicial de mais de 25 funcionários — que inclui pesquisadores recrutados em gigantes da tecnologia como OpenAI, Google DeepMind, Meta, Tencent e Alibaba —, a Prentis foca no treinamento de modelos capazes de aprender como funcionários de escritório navegam por rotinas de trabalho em documentos e sistemas operacionais. O objetivo final é construir agentes de IA capazes de assumir o controle direto de computadores, executando de forma autônoma tarefas administrativas sem requerer supervisão humana constante.
Apesar de seu lançamento recente, a Prentis já celebrou acordos comerciais significativos, somando até US$ 50 milhões em contratos firmados com uma organização de serviços de gestão de saúde, uma fabricante industrial e empresas do setor de bens de consumo e vestuário. Documentos de apresentação para investidores obtidos pelo TechCrunch revelam uma projeção de taxa de execução anualizada (ARR) de US$ 75 milhões até o terceiro trimestre deste ano.
A estrutura de receita apresentada no pitch deck da Prentis apoia-se em um modelo comercial baseado no desempenho prático da tecnologia. Os valores de ARR projetados correspondem a uma taxa contratual equivalente a 20% dos custos economizados pelos clientes com a automação. A própria empresa pondera nos documentos que os números não representam receita reconhecida, sendo valores estimados dependentes de performance e sujeitos à execução final dos contratos.
No coração da infraestrutura tecnológica desenvolvida pela Prentis está o modelo Hive-32B, uma rede neural de 32 bilhões de parâmetros treinada especificamente para o controle e manipulação visual de interfaces. Segundo dados divulgados pela própria startup, o Hive-32B supera concorrentes de grande porte, como o GPT-5.4 da OpenAI e o Claude Opus 4.6 da Anthropic, em dois dos principais benchmarks de uso de computador da indústria: o WindowsAgentArena e o ScreenSpot-v2.
O teste WindowsAgentArena avalia a capacidade do agente em concluir tarefas de ponta a ponta em aplicativos reais do sistema operacional Windows, enquanto o ScreenSpot-v2 mensura a precisão do modelo em identificar e clicar no controle correto exibido na tela. Embora a Prentis utilize esses dados de benchmark para fundamentar sua vantagem competitiva em apresentações comerciais, os resultados não foram verificados de forma independente pelo TechCrunch.
A tese central da Prentis apoia-se na eficiência financeira de operar um modelo substancialmente menor e mais barato que os modelos de linguagem de grande porte. Em seu material de captação, a empresa alega entregar um custo por tarefa cerca de 10 vezes menor do que o cobrado por APIs de modelos de fronteira, argumentando que essa redução de custos viabiliza economicamente a implantação de agentes de IA em fluxos de trabalho diários de grande volume.
A estratégia da Prentis parte da premissa de que a automação de rotinas de escritório superará em breve o desenvolvimento de código-fonte como o maior caso de uso da inteligência artificial generativa. No entanto, esse mercado tem se tornado cada vez mais concorrido. Empresas como a Anthropic, a OpenAI e o Thinking Machines Lab — laboratório fundado recentemente pela ex-CTO da OpenAI, Mira Murati — também trabalham ativamente no desenvolvimento de agentes para uso de computadores.
O apetite do setor por essa tecnologia é evidenciado por movimentações consolidadoras de talentos. No início do ano, a Anthropic adquiriu a startup Vercept, sediada em Seattle e especializada em automação por uso de computador. A operação resultou na absorção imediata dos fundadores da Vercept pela equipe da Anthropic e no encerramento das operações do produto original da empresa adquirida.
Entre os casos práticos de uso almejados pela Prentis está a automação de processos intensivos em documentos e sistemas legados que carecem de APIs integradas. A startup projeta desenvolver agentes capazes de realizar o processamento de sinistros de seguros e automatizar exceções em reembolsos de impostos alfandegários (customs duty refund exceptions), eliminando a necessidade de um operador humano buscar manualmente dados em formulários e telas do sistema.
O presidente-executivo da Prentis, Ritankar Das, possui um histórico acadêmico e empreendedor precoce. Aos 31 anos, Das foi o mais jovem medalhista universitário da UC Berkeley em mais de um século, graduando-se aos 18 anos com dupla licenciatura em bioengenharia e biologia química. Na sequência, concluiu mestrado em engenharia biomédica na Universidade de Oxford e ingressou no doutorado em IA na Universidade de Cambridge como bolsista Gates Cambridge Scholar, antes de abandonar o programa para empreender.
Em 2014, Das fundou a Titan, uma empresa holding voltada para a criação e operação de companhias de inteligência artificial. Inspirada explicitamente no modelo de negócios da Berkshire Hathaway, a Titan financia suas próprias operações por meio do capital gerado pelo desinvestimento (exits) de suas empresas, sem captar recursos com investidores limitados (LPs) de fundos de Venture Capital tradicionais.
Sob o ecossistema da Titan, Das lançou empreendimentos como a Tala Health, startup de cuidados virtuais por IA que captou uma rodada seed de US$ 100 milhões no ano passado, e a Forta Health, voltada para cuidados no espectro autista, que captou US$ 55 milhões em 2024 em rodada liderada pela Insight Partners. Anteriormente, a startup de predição de doenças Dascena, criada pela Titan, foi adquirida pela CirrusDx em 2022.
A Prentis funciona como um projeto paralelo para seus outros dois cofundadores de peso no setor de tecnologia. Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn e sócio do fundo Greylock, anunciou recentemente que estava se desligando do conselho de administração da Microsoft após quase dez anos. O movimento visou focar em modo fundador na Manas AI, startup de descoberta de medicamentos via IA, e em novos projetos. Hoffman foi investidor anjo inicial da OpenAI e cofundou a Inflection AI com Mustafa Suleyman, antes de a Microsoft absorver a maior parte da equipe da startup em 2024.
O terceiro cofundador, Mark Pincus, criador da Zynga, administra atualmente a firma de investimentos Reinvent Capital, que conta com Reid Hoffman como conselheiro sênior. Pincus lançou recentemente seu livro de memórias, intitulado Life at the Speed of Play, publicado no mês passado, mantendo sua atuação no ecossistema de capital de risco do Vale do Silício.
A tese apresentada pelo modelo Hive-32B da Prentis aponta para uma reconfiguração na automação de processos corporativos (RPA). Para o ecossistema de tecnologia e grandes empresas brasileiras, a utilização de modelos compactos de 32 bilhões de parâmetros capazes de operar interfaces do Windows com custo 10 vezes menor que grandes APIs oferece um caminho viável para automatizar sistemas legados sem a necessidade de dispendiosas integrações de back-end.
A viabilidade comercial de longo prazo da startup dependerá do cumprimento das metas de desempenho, uma vez que o contrato atrelado a 20% dos custos economizados vincula a receita diretamente aos resultados práticos obtidos pelos clientes. Procurada formalmente pela reportagem do TechCrunch para comentar a rodada de captação de US$ 100 milhões e suas métricas de desempenho, a Prentis não respondeu aos pedidos de resposta.
Atualização do app desktop do ChatGPT traz o modelo ChatGPT-Live, permitindo controlar o Codex e gerenciar tarefas no computador por voz.
A Midjourney adquiriu o app Co-Star, trazendo 4,3 milhões de usuários e 24 colaboradores para reforçar sua infraestrutura e criar produtos próprios.
A Cognition comprou a criadora do Poke em negócio milionário para integrar linguagem humana e orquestração ao assistente de código Devin.