Lovable capta US$ 400 milhões em Série C e atinge avaliação de US$ 13,3 bilhões
A startup de vibe-coding Lovable confirma nova rodada de US$ 400M liderada pela Menlo Ventures, impulsionada por US$ 500M de receita anual recorrente.
Com suporte da OpenAI e SoftBank, Thrive Holdings levanta US$ 2 bi para aplicar IA em empresas de infraestrutura e serviços.
A Thrive Holdings anunciou a captação de US$ 2 bilhões em uma nova rodada de financiamento, atingindo um *valuation* de US$ 12 bilhões. O aporte contou com a participação de investidores de peso global, incluindo o SoftBank, a D1 Capital Partners e a Altimeter Capital, conforme revelado originalmente pelo jornal The New York Times. A empresa opera com uma estratégia comparável à de uma firma de *private equity* voltada para inteligência artificial, comprando o controle de empresas tradicionais para integrar ferramentas avançadas diretamente em suas operações diárias.

A tese central da Thrive Holdings baseia-se na aquisição de companhias em setores consolidados e fragmentados, onde a digitalização ainda é superficial ou ineficiente. Até o momento, a organização concentrou suas operações em dois pilares principais: serviços de contabilidade e tecnologia da informação (TI). No entanto, parte expressiva dos novos US$ 2 bilhões captados na rodada de quarta-feira será direcionada para a expansão em uma terceira vertical voltada a ativos físicos e infraestrutura regulatória.
O grande diferencial competitivo da estrutura reside na relação direta com a OpenAI. A Thrive Holdings é uma *spinout* da Thrive Capital, uma das maiores investidoras históricas da criadora do ChatGPT. Em dezembro de 2025, a própria OpenAI adquiriu uma participação acionária direta na Thrive Holdings. Como parte integrante da negociação, a OpenAI passou a enviar seus próprios funcionários e engenheiros para atuar lado a lado com as equipes das empresas do portfólio da **Thrive**, acelerando a integração técnica e operacional de sistemas autônomos.
Essa abordagem de implementação direta de inteligência artificial transformou-se em um modelo de negócios altamente atraente para o mercado de capital de risco. A estratégia de colocar engenheiros especializados dentro das operações de empresas adquiridas explica boa parte do entusiasmo dos investidores na captação de US$ 2 bilhões. O movimento acompanha uma tendência mais ampla no setor de tecnologia, na qual grandes desenvolvedoras de modelos de linguagem buscam alianças operacionais com o setor financeiro.
Além do acordo entre OpenAI e Thrive Holdings, outras gigantes da indústria adotaram estruturas semelhantes. A OpenAI e a Anthropic firmaram parcerias com grandes firmas de *private equity* para lançar, respectivamente, a The Deployment Company e a Ode with Anthropic. Ambas são iniciativas bilionárias desenhadas para construir equipes de engenharia de elite que se alocam temporária ou permanentemente dentro de corporações, reescrevendo rotinas operacionais por meio de IA.
O volume expressivo da nova avaliação de US$ 12 bilhões da Thrive Holdings apoia-se em métricas operacionais consolidadas. A plataforma da holding já ultrapassou a marca de 70 empresas sob seu controle ativo. Essa escala permite testar, otimizar e implantar agentes de inteligência artificial em um ambiente corporativo real, reduzindo custos de aquisição de clientes e acelerando a validação de novos produtos de software.
A atuação da Thrive Holdings está organizada em divisões operacionais bem definidas. O braço de contabilidade, denominado Current, reúne mais de 50 firmas do setor e conta com uma força de trabalho de mais de 2.000 profissionais. Nessa divisão, o foco principal tem sido o desenvolvimento e implantação dos chamados TaxAI, agentes de inteligência artificial autônomos e autoaperfeiçoáveis voltados para a preparação e auditoria de declarações fiscais e tributárias.
Segundo dados divulgados pela própria Thrive, os agentes TaxAI processaram com sucesso mais de 7.000 declarações de imposto de renda com uma taxa de precisão de 98%. Essa automação resultou em uma redução de mais de 30% no tempo exigido para a preparação tributária dentro das firmas de contabilidade integrantes da plataforma Current, demonstrando ganhos diretos de eficiência produtiva em um setor tradicionalmente intensivo em mão de obra qualificada.
Paralelamente, o braço de tecnologia da informação da holding, batizado de Shield, engloba cerca de 20 empresas especializadas em infraestrutura de TI e suporte técnico. Os produtos de software desenvolvidos pela Shield alcançaram resultados expressivos nas operações do grupo, acelerando o tempo de resolução de chamados de suporte (*help desk*) em 36 vezes. Além disso, a divisão dobrou o número de agentes de IA personalizados implantados nos clientes ao longo do último mês.
Com o aporte de US$ 2 bilhões liderado por SoftBank, D1 Capital Partners e Altimeter Capital, a Thrive Holdings inicia a construção de sua terceira grande plataforma vertical. O novo foco de investimentos será direcionado para serviços regulatórios voltados ao ambiente construído e ativos físicos. Um porta-voz da empresa definiu esse setor como "o trabalho técnico e burocrático necessário para aprovar, construir, certificar e manter ativos físicos em operação contínua".
A oportunidade nesse segmento decorre do estrangulamento enfrentado por projetos de grande porte nos Estados Unidos. Em entrevista concedida ao portal TechCrunch, Anuj Mehndiratta, membro fundador da Thrive Holdings, destacou a complexidade enfrentada pelo setor de infraestrutura do país:
“Os EUA precisam construir e modernizar mais infraestruturas críticas, mas os projetos frequentemente são restringidos por complexidades locais, técnicas e regulatórias. Isso se aplica a data centers, manufatura, saúde, energia, água, transporte e outras infraestruturas físicas.”
Setores caracterizados por alta fragmentação e regulamentação rígida representam o ambiente ideal para a tese de investimento da Thrive Holdings. Embora Anuj Mehndiratta ressalte que os sistemas de IA não substituirão o trabalho de campo, o julgamento humano local ou o aval técnico de profissionais credenciados, a tecnologia pode eliminar gargalos em tarefas manuais intensivas, como pesquisa bibliográfica, elaboração de relatórios, preparação de permissões, documentação de inspeções e monitoramento de conformidade regulatória.
A estratégia de atuação da Thrive Holdings e de executivos como Kareem Zaki, também membro fundador da empresa, visa transformar a maneira como corporações lidam com burocracias operacionais sem comprometer normas de segurança. Em declaração oficial enviada por e-mail à repórter Rebecca Bellan, da TechCrunch, Zaki detalhou a visão estratégica do grupo para o setor imobiliário e de infraestrutura:
“Acreditamos que a IA em parceria com os especialistas e profissionais dessas empresas pode realmente ajudar a comprimir gargalos regulatórios e manter os padrões de segurança elevados, além de reduzir o fardo durante a construção real, tornando o processo mais eficiente, mais rápido e com menor custo.”
Esse modelo operacional sinaliza uma mudança relevante no mercado global de software corporativo, afetando indiretamente as estratégias de líderes de tecnologia e diretores de TI inclusive no Brasil. Em vez do modelo tradicional de venda de licenças B2B — onde o cliente corporativo assume o risco e o custo da implementação da IA —, o modelo exercido por veículos como Thrive Holdings, The Deployment Company e Ode with Anthropic assume o controle acionário da operação para executar a transformação digital internamente.
A consolidação de mais de 70 empresas sob a estrutura da Thrive Holdings e a expansão para setores de infraestrutura pesada — como energia, água, saúde e data centers — exemplificam a maturação da inteligência artificial aplicada ao ecossistema corporativo. Com o apoio financeiro de SoftBank e o suporte técnico direto da OpenAI, o progresso dessa nova vertical regulatória servirá de parâmetro para a automação de processos complexos no setor produtivo mundial.
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