Fraude de US$ 250 mi: o colapso do acordo entre VideoVerse e Minute Media
A aquisição de US$ 250 milhões da VideoVerse pela Minute Media ruiu entre acusações de fraudes, assinaturas falsas e processos na corte de Delaware.
Após demanda de US$ 15 bi de investidores, Databricks fecha rodada de US$ 5 bi com valuation de US$ 190 bi para acelerar pesquisa em IA e aquisições.
A Databricks anunciou a captação de US$ 5 bilhões em uma nova rodada de investimento privado que elevou sua avaliação de mercado para US$ 190 bilhões. O montante final superou em cinco vezes a meta inicial planejada pela liderança da companhia de software e big data, consolidando a empresa como uma das mais valiosas do setor global de tecnologia e inteligência artificial.

Em entrevista ao veículo norte-americano TechCrunch, o cofundador e CEO da Databricks, Ali Ghodsi, revelou que os planos originais da diretoria previam uma captação mais modesta de US$ 1 bilhão. A dinâmica mudou quando uma reportagem do portal The Information vazou que a companhia negociava aportes no meio de sua conferência anual de tecnologia realizada em junho, desencadeando uma corrida imediata de fundos de venture capital.
“Queríamos levantar US$ 1 bilhão, mas então o The Information publicou esse artigo dizendo que a Databricks estava fazendo uma grande captação. Eles fizeram isso no meio da nossa conferência. Estávamos totalmente concentrados no evento e não estávamos focados em captação de recursos. Assim que a notícia saiu, formou-se uma longa fila de investidores ligando. Meu telefone explodiu.” — Ali Ghodsi, CEO da Databricks
Segundo Ali Ghodsi, a procura de um grupo seleto de fundos somou US$ 15 bilhões em intenção direta de aportes, forçando a diretoria a emitir um volume maior de ações para evitar atritos com investidores de longo prazo. Em julho, a Databricks já havia divulgado um comunicado sobre o fechamento de um acordo a um valuation preliminar de US$ 188 bilhões, número agora ajustado para a marca de US$ 190 bilhões com a conclusão do aporte de US$ 5 bilhões.
A rodada de US$ 5 bilhões foi liderada pela gestora Coatue, acompanhada de grandes grupos institucionais como Blackstone, o fundo estatal MGX e diferentes divisões da T. Rowe Price. Ao todo, cerca de duas dezenas de firmas de venture capital e private equity participaram da composição societária final do negócio.
Entre as novidades no quadro de investidores da Databricks está a Sixth Street Growth, braço de crescimento da gestora fundada por Alan Waxman, ex-diretor de investimentos (CIO) do banco Goldman Sachs. A entrada desses fundos de grande porte ilustra a preferência por ativos de tecnologia já consolidados na fase pré-IPO, capazes de absorver cheques bilionários.
A captação recente eleva o volume total de recursos obtidos pela Databricks para US$ 20 bilhões nos últimos 20 meses. Em estágios avançados de investimento no Vale do Silício, empresas maduras frequentemente enfrentam o dilema de emitir mais papéis do que o planejado para acomodar a alta demanda dos sócios existentes e de novos parceiros estratégicos de peso financeiro.
O apetite do mercado financeiro pela Databricks é sustentado por números operacionais sólidos divulgados por Ali Ghodsi. A empresa atingiu uma taxa de receita anualizada (run rate) de US$ 7 bilhões, apresentando uma taxa de expansão anual de 80% somada a um fluxo de caixa positivo (cash-flow positive).
O produto central da Databricks, focado em data warehousing em nuvem, responde sozinho por US$ 1.5 bilhão da receita anualizada da companhia e mantém um crescimento de 100% ano contra ano. Essa base de infraestrutura de dados serve como alicerce para a integração de cargas de trabalho corporativas complexas com ferramentas avançadas de análise preditiva.
A operação em escala com geração positiva de caixa diferencia a Databricks de startups em estágio inicial que realizam rodadas vultosas de US$ 1 bilhão em fases como Seed ou Series A, mas operam com prejuízos elevados na corrida da inteligência artificial.
Além da infraestrutura tradicional de dados, o portfólio voltado a sistemas autônomos e modelos generativos impulsionou o valor de mercado da empresa. A Databricks lançou em junho de 2025 o Lakebase, um banco de dados projetado especificamente para alimentar agentes de IA, que já alcançou a marca de US$ 100 milhões em taxa de receita anualizada.
Outro destaque do catálogo é o assistente virtual corporativo Genie, ferramenta com interface conversacional capaz de gerar relatórios e análises de negócios em tempo real. De acordo com Ali Ghodsi, o Genie registrou adesão massiva entre clientes corporativos devido à facilidade de consultar grandes volumes de dados sem a necessidade de comandos manuais complexos em SQL.
Essas soluções posicionam a empresa no centro do desenvolvimento de agentes autônomos corporativos, unindo armazenamento de dados em escala com processamento de modelos de linguagem diretamente nos ambientes de nuvem das organizações.
Mesmo gerando caixa positivo, a necessidade de levantar US$ 5 bilhões decorre dos custos elevados de manter a liderança em IA. Ali Ghodsi apontou que a Databricks mantém compromissos contratuais multibilionários de consumo de computação em nuvem com os três maiores provedores de infraestrutura (hyperscalers) do mercado global.
Além das contas de servidores e GPUs, os gastos com talentos técnicos pesam no orçamento corporativo. A Databricks estruturou um time interno de 100 pesquisadores dedicados exclusivamente à pesquisa básica e aplicada em modelos de inteligência artificial, segmento no qual a remuneração de especialistas atinge patamares elevados devido à disputa acirrada entre gigantes de tecnologia.
“A pesquisa em inteligência artificial é muito cara.” — Ali Ghodsi, CEO da Databricks
Parte expressiva dos US$ 5 bilhões recém-captados tem como destino o caixa para aquisições estratégicas (M&A). Nesta mesma semana do anúncio do aporte, a Databricks confirmou a compra da Electric, startup responsável pelo desenvolvimento do PGlite, uma versão leve do banco de dados relacional Postgres desenhada para que agentes de IA possam instanciar e manipular bancos de dados locais sob demanda.
O acordo pela Electric, cujos valores financeiros não foram divulgados, soma-se a um histórico intenso de transações ao longo do ano. Em junho, a Databricks comprou a empresa de cibersegurança orientada a IA Panther, enquanto no mês de março concluiu a aquisição de outras duas startups de tecnologia para integrar seus times e códigos à plataforma da empresa.
A incorporação de ferramentas como o PGlite reforça a estratégia da companhia de fornecer todos os blocos fundamentais para desenvolvedores construírem agentes autônomos diretamente conectados à infraestrutura de dados corporativa.
A sequência recorrente de grandes rodadas privadas transformou a Databricks em um tema frequente de discussões no Vale do Silício, onde analistas e investidores brincavam que a empresa estava perto de esgotar as letras do alfabeto em suas séries de captação. O aporte de US$ 5 bilhões adia novamente a necessidade imediata de uma oferta pública inicial de ações (IPO).
Em declaração concedida à emissora norte-americana CNBC, Ali Ghodsi reiterou que a meta de levar a Databricks à bolsa de valores continua de pé para o futuro, atendendo às expectativas de liquidez do amplo grupo de investidores institucionais que integram o quadro societário da empresa.
No cenário atual, a Databricks optou por manter sua operação fora do escrutínio dos balanços trimestrais públicos, garantindo flexibilidade para sustentar gastos agressivos em pesquisa de IA e aquisições corporativas enquanto dispõe de demanda privada superior a US$ 15 bilhões.
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