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Fraude de US$ 250 mi: o colapso do acordo entre VideoVerse e Minute Media

A aquisição de US$ 250 milhões da VideoVerse pela Minute Media ruiu entre acusações de fraudes, assinaturas falsas e processos na corte de Delaware.

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Martelo de juiz sobre mesa de madeira com documentos financeiros e gráficos digitais ao fundo
Martelo de juiz sobre mesa de madeira com documentos financeiros e gráficos digitais ao fundo

Em setembro de 2025, a startup indiana VideoVerse, fundada por Vinayak Shrivastav, anunciou sua venda por US$ 250 milhões para a Minute Media, publicação esportiva internacional sediada entre Nova York e Tel Aviv. O negócio prometia expandir os softwares de corte automatizado da empresa para além do seu nicho indiano original. Menos de um ano após o anúncio, a transação ruiu completamente em meio a alegações de fraude financeira, documentos adulterados e processos judiciais cruzados.

Martelo de juiz sobre mesa de madeira com documentos financeiros e gráficos digitais ao fundo
Foto: TechCrunch AI

A crise atingiu o ápice em maio de 2026, quando a Minute Media declarou formalmente a rescisão do contrato com a VideoVerse, enfatizando que as duas empresas continuavam operando como entidades jurídicas separadas após o anúncio da aquisição. Em declaração ao veículo TechCrunch, um representante da Minute Media justificou o encerramento da operação:

"depois que, entre outras coisas, discrepâncias significativas foram descobertas nas declarações da VideoVerse, a Minute Media decidiu encerrar seu envolvimento com a empresa."

Enquanto investidores tentam reaver sua parte do montante de US$ 250 milhões, o ex-CEO Vinayak Shrivastav tornou-se o centro de múltiplos processos judiciais. Documentos anexados às ações indicam que o executivo utilizou o prestígio da venda para acumular dívidas e fechar acordos paralelos. O endereço mais recente registrado de Shrivastav nos autos judiciais fica no complexo de Palm Jumeirah, em Dubai, e o executivo não respondeu aos contatos da equipe do TechCrunch.

O colapso de uma aquisição milionária

Antes do cancelamento do negócio, a VideoVerse havia ganhado projeção no setor de edição automatizada de vídeo por meio do seu principal produto, o Magnifi. A ferramenta baseada em inteligência artificial foi desenvolvida para identificar automaticamente jogadores e momentos decisivos em transmissões de longa duração, gerando clipes curtos para redes sociais — como compilar todos os arremessos de três pontos de uma partida de basquete.

Apoiada por uma equipe interna de suporte humano, a plataforma Magnifi atraiu clientes globais como a liga de críquete Indian Premier League, o serviço de streaming FIFA+ e a emissora japonesa Nippon TV. Esse portfólio motivou a Minute Media a buscar a aquisição da VideoVerse, visando aplicar o software de clipping no mercado esportivo dos Estados Unidos.

A teia de empréstimos e falsificações

As disputas judiciais ganharam escala na corte Delaware Chancery Court. O fundo Bluestone Capital, que investiu na VideoVerse durante a rodada de captação de 2023, abriu um processo por fraude. A gestora alega que a startup violou os termos do investimento e se recusou a repassar os dividendos da venda de US$ 250 milhões.

Em outro processo movido por credores, busca-se a recuperação de US$ 64 milhões referentes a um empréstimo contratado por Vinayak Shrivastav logo após o anúncio da aquisição. A petição inicial afirma que Shrivastav utilizou documentos de fusão fraudulentos que não refletiam os termos acordados com a Minute Media para induzir os acionistas da entidade Clippings a aprovarem o negócio.

Em outubro, Vinayak Shrivastav negociou um empréstimo estruturado de US$ 55 milhões com a empresa de investimentos Lingotto, sob a justificativa de quitar um credor anterior. Confiando no anúncio público da transação de US$ 250 milhões, a Lingotto transferiu US$ 53 milhões em 1º de outubro para uma conta controlada pela Clippings.

As acusações do ex-COO Sabya Das

A Lingotto afirma em seu processo que os documentos apresentados por Shrivastav para obter o crédito eram falsos. O CEO da Minute Media nunca assinou os papéis fornecidos, e as capturas de tela relativas aos saldos bancários da VideoVerse foram fabricadas. O contrato previa o pagamento de uma parcela de US$ 4 milhões em 31 de março, valor que jamais foi pago.

Ao cobrar a execução total da dívida de US$ 55 milhões com juros, a Lingotto descobriu que a VideoVerse acumulava outros débitos vencidos, incluindo o acordo de liquidação com a Bluestone Capital. A pressão dos investidores resultou no afastamento definitivo de Vinayak Shrivastav do cargo de CEO no final de abril.

As acusações ganharam nova camada com o processo movido por Sabya Das, ex-COO da VideoVerse. Das alega que Shrivastav forjou sua assinatura em contratos de empréstimo e acordos de recompra de ações, desviando dezenas de milhões de dólares da empresa após o acordo com a Minute Media. A queixa de Sabya Das menciona ainda vendas secundárias de ações e um empréstimo confidencial com altas taxas de juros.

O rastro financeiro na Corte de Delaware

Atualmente, as ações movidas pela Minute Media, Lingotto e Bluestone Capital tramitam simultaneamente na Delaware Chancery Court. Os relatórios financeiros apresentados nos tribunais revelam inconsistências e o desaparecimento de dezenas de milhões de dólares das contas corporativas da VideoVerse e da Clippings.

O caso expõe a dependência do ecossistema de startups em relação à confiança institucional durante processos de fusão e aquisição. Para o mercado de tecnologia no Brasil, onde startups buscam captações internacionais e aportes de venture capital, o episódio da VideoVerse ressalta os riscos de falhas na due diligence e a necessidade de verificação independente de garantias financeiras em operações de alta complexidade.

#VideoVerse#Minute Media#Vinayak Shrivastav#Mercado Digital#Startups
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