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HPE desafia VMware com licenças gratuitas em meio a gargalos de hardware

HPE lança promoção de um ano grátis do VM Essentials para atrair usuários da VMware, mas custos de DRAM e hardware surgem como barreiras de migração.

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Slots de memória RAM detalhados e circuitos internos de um servidor de alto desempenho em um data center moderno
Slots de memória RAM detalhados e circuitos internos de um servidor de alto desempenho em um data center moderno

A multinacional de tecnologia HPE acaba de lançar uma ofensiva comercial agressiva para balançar o mercado de virtualização corporativa, oferecendo um ano gratuito de seu software de virtualização VM Essentials para atrair clientes que estejam considerando migrar de sua principal rival, a VMware. A estratégia visa mitigar uma das barreiras mais críticas apontadas por tomadores de decisão em todo o mundo: o custo financeiro e o tempo exigidos para realizar a transição completa entre plataformas de infraestrutura crítica. De acordo com pesquisas de mercado realizadas por terceiros, embora uma parcela expressiva de clientes da VMware planeje reduzir ou eliminar completamente o uso de suas soluções nos próximos anos, o processo prático de migração frequentemente esbarra na necessidade de pagar por dois hipervisores simultaneamente, criando despesas duplicadas redundantes.

Slots de memória RAM detalhados e circuitos internos de um servidor de alto desempenho em um data center moderno
Foto: Ars Technica

O desafio das despesas duplicadas

Essa sobreposição orçamentária é um dos principais fatores que tornam os projetos de migração de TI lentos ou inviáveis para muitas empresas globais. Fidelma Russo, vice-presidente executiva (EVP) e diretora de tecnologia (CTO) da HPE, descreveu esse cenário de fricção econômica com precisão em uma declaração reportada pelo veículo especializado The Register. De acordo com a executiva, a transição operacional de uma empresa gera um estresse financeiro severo no orçamento de infraestrutura antes mesmo de trazer benefícios práticos de redução de custos de licenciamento.

"Uma das grandes coisas que vemos é que, à medida que os clientes passam por essa jornada de transformação de seu modelo operacional, você acaba tendo despesas duplas", afirmou Fidelma Russo, CTO da HPE.

Para o mercado, a oferta da HPE de fornecer doze meses de isenção de tarifas do VM Essentials visa justamente neutralizar essa barreira das despesas duplas. No entanto, analistas e revendedores de canal apontam que a eliminação temporária do custo de software resolve apenas parte de uma equação muito mais complexa, que envolve ciclos de vida de hardware rígidos, custos inflacionados de componentes de memória de servidores e a logística física de data centers em produção contínua.

O gargalo físico do DRAM

Apesar do forte apelo econômico e do marketing agressivo da HPE, vozes experientes do setor de serviços de infraestrutura gerenciada demonstram ceticismo em relação ao real potencial de conversão de vendas dessa promoção de curto prazo. Dean Colpitts, CTO do provedor de serviços gerenciados canadense Members IT Group (MITG), explicou ao veículo Ars Technica que as decisões de migração de virtualização não são tomadas de forma isolada do ecossistema físico de hardware das empresas. A própria trajetória do MITG exemplifica a turbulência atual do mercado: a empresa foi cortada do programa de revenda da VMware após 19 anos de parceria contínua, uma mudança drástica que reflete a reestruturação profunda do ecossistema de canais.

"Todos os nossos clientes trabalham em ciclos de vida de três, quatro ou cinco anos e geralmente embutem essa compra em sua aquisição inicial. O maior problema que vejo no momento que afeta as vendas e a adoção do VM Essentials é que os altos preços e as restrições de DRAM estão afetando a capacidade dos clientes de obter novo hardware para o qual migrar", explicou Dean Colpitts, CTO do MITG.

A análise de Colpitts destaca que os chips de memória dinâmica de acesso aleatório (DRAM) enfrentam restrições de mercado que elevam os custos de servidores a níveis proibitivos. Como a virtualização moderna exige alta densidade de DRAM por núcleo de processador para sustentar múltiplas máquinas virtuais, os orçamentos de hardware estourados acabam paralisando projetos inteiros de transição tecnológica, impedindo que as empresas aproveitem ofertas promocionais de software como a da HPE.

O desafio do brownfield reimage

A restrição física no fornecimento de servidores novos impede que os administradores de sistemas realizem procedimentos conhecidos no setor de infraestrutura como reinstalação em ambiente existente, ou brownfield reimage. De acordo com Colpitts, do MITG, o cenário ideal de migração exige que os clientes comprem equipamentos novos para os quais as cargas de trabalho da VMware possam ser transferidas de forma segura. Sem hardware sobressalente temporário disponível no mercado, as empresas ficam impossibilitadas de realizar a formatação e a reinstalação de seus servidores legados existentes para rodar o VM Essentials.

Essa dependência de equipamentos físicos novos demonstra que a gratuidade do licenciamento do software de virtualização da HPE por um ano não resolve a raiz das dificuldades logísticas e de continuidade operacional enfrentadas pelos times de infraestrutura. A migração de um hipervisor crítico como o da VMware para uma plataforma concorrente exige que os sistemas continuem rodando em tempo real, demandando um investimento expressivo em infraestrutura física de contingência que, no momento atual, está escassa devido à escassez de componentes como o DRAM.

Divergências no otimismo de canais

Se por um lado existem canais cautelosos diante da crise de fornecimento de hardware, por outro, grandes parceiros de distribuição da HPE projetam uma explosão na demanda do VM Essentials em decorrência direta da nova promoção de gratuidade. A empresa de canais de distribuição Nth Generation, sediada em San Diego, na Califórnia, estima que o seu pipeline de vendas para a solução de virtualização da HPE pode simplesmente quadruplicar no curto prazo, conforme reportado originalmente pelo portal focado em canais CRN.

"Essas capacidades adicionais de licenciamento gratuito e de migração vão reduzir drasticamente o risco de mudar para o VM Essentials", projetou Dan Molina, copresidente e CTO da Nth Generation.

De acordo com Molina, a garantia de um ano de licenças gratuitas atua como um poderoso colchão de segurança financeira para que os diretores de tecnologia iniciem os projetos de transição para o VM Essentials com menor exposição a riscos operacionais e orçamentários. Na visão da Nth Generation, a iniciativa comercial da HPE é o catalisador necessário para destravar decisões de migração que estavam congeladas pelo receio de custos ocultos e problemas na migração de cargas de trabalho complexas herdadas da VMware.

A promoção para 600 parceiros

Além da oferta direta aos clientes finais, a HPE anunciou um incentivo adicional focado exclusivamente em impulsionar a capacitação técnica de sua rede de revendedores e canais em todo o mundo. A fabricante revelou que irá conceder licenças de software gratuitas do VM Essentials pelo período de três anos para 600 parceiros de revenda que conquistarem a certificação de competência Private Cloud with Virtualization (Nuvem Privada com Virtualização) dentro do programa oficial de parceiros da HPE até o final deste ano. Um detalhe contratual importante, no entanto, é que os parceiros agraciados pela promoção ainda precisarão arcar com os custos recorrentes de suporte técnico associados à operação das ferramentas.

Apesar de atraente à primeira vista, a limitação da promoção para apenas 600 parceiros globalmente recebeu críticas contundentes de profissionais que defendem uma postura mais agressiva e irrestrita no combate contra o domínio histórico da VMware. Dean Colpitts, CTO do MITG, classificou a medida da HPE como um avanço modesto, mas considerou o limite numérico imposto pela fabricante como um erro estratégico que demonstra falta de visão de longo prazo para as necessidades imediatas do canal de distribuição.

"É um passo na direção correta, mas limitar a promoção a 600 parceiros é muito míope. Eles precisam lançar o VM Essentials o mais longe e o mais rápido que puderem para imediatamente ganhar tração e atrair os ISVs para si, o que aumentará ainda mais a adoção", argumentou Dean Colpitts, CTO do MITG.

O papel crítico dos ISVs no ecossistema

A menção de Colpitts à necessidade urgente de atrair desenvolvedores independentes de software, conhecidos pela sigla técnica ISVs (Independent Software Vendors), aponta para a verdadeira chave do sucesso no mercado de sistemas operacionais e hipervisores. Para que uma plataforma como o VM Essentials da HPE consiga de fato substituir as soluções corporativas consolidadas da VMware, ela não depende apenas de desempenho e preço, mas sim da existência de um ecossistema completo de ferramentas de terceiros certificadas. Isso inclui soluções integradas de backup corporativo, antivírus, firewalls virtuais e gerenciamento de banco de dados que deem suporte nativo à tecnologia.

Ao restringir os incentivos de licenciamento de três anos do VM Essentials a apenas 600 parceiros qualificados na competência de Private Cloud with Virtualization, a HPE pode estar desacelerando involuntariamente o ritmo com que os desenvolvedores criam e homologam softwares compatíveis com sua nova arquitetura de virtualização. A disputa que se desenrola nos bastidores da infraestrutura de TI corporativa deixa claro que, além do preço da licença de software e de campanhas pontuais para sanar despesas duplicadas, as empresas estão de olho em parcerias duradouras, disponibilidade de componentes como DRAM e na resiliência de canais como o MITG e a Nth Generation para estruturarem suas infraestruturas do futuro.

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